Dos lagrimas sinceras
Derramo en mi partida
Por la barra querida
Que nunca me olvido.
Y al darle, mis amigos,
El adiós postrero,
Les doy con toda mi alma,
Mi bendición.
Adios muchachos, compañeros de mi vida,
Barra querida de aquellos tiempos.
Me toca a mi hoy emprender la retirada,
Debo alejarme de mi buena muchachada.
Adios muchachos. ya me voy y me resigno...
Contra el destino nadie la talla...
Derramo en mi partida
Por la barra querida
Que nunca me olvido.
Y al darle, mis amigos,
El adiós postrero,
Les doy con toda mi alma,
Mi bendición.
Adios muchachos, compañeros de mi vida,
Barra querida de aquellos tiempos.
Me toca a mi hoy emprender la retirada,
Debo alejarme de mi buena muchachada.
Adios muchachos. ya me voy y me resigno...
Contra el destino nadie la talla...
Se o rosto é a moldura dos olhos, e os olhos os espelhos da alma, causou-me grande impressão ver aquele rosto tranquilo e compenetrado entrar no Conservatório da Rua Antônio Lapa, emoldurando olhos inteligentes, espelhando uma alma límpida e sincera.
Pareceu-me uma alma que unia grandeza e doçura, força e caridade, sobriedade e etiqueta, como a de outros grandes homens que de vez em quando cruzam nossas vidas.
Apresentamo-nos um ao outro. Ele procurava um coral para cantar em Campinas. O sobrenome era alemão, talvez ashkenazi, a língua era a Portuguesa, mas o acento era indiscutivelmente portenho.
Entrou para o coral. E, ensaiando para a Missa de Glória de Puccini nos finais de semana, fui criando grande simpatia pelo "senhor" Sérgio - prenome de tratamento que invariavelmente irão usar para com o "senhor" Sérgio, por causa do grande respeito que ele causa às pessoas.
Aos poucos fui confirmando minhas impressões, e a mais marcante delas era o fato de seus olhos falarem mais do que sua boca.
E era bonito de se ver ele olhando para sua filha ensaiando dança em outra sala, durante nossos intervalos. Era como se víssemos um jovem senhor voltando à infância, tal era a alegria que saltava de seus olhos.
E era bonito de se ver aquele rosto compenetrado nas partes mais sublimes da Missa de Glória. A música tocava-lhe o coração, e o coração transbordava na alma, e a alma jorrava pelos olhos, e os olhos iluminavam o rosto. Não era mais o Sérgio, mas o Sérgio e o Puccini dialogando entre as pautas.
Devia ser bonito para os outros também. Num vôo entre Amsterdan e São Paulo, uma moça, vendo o Sérgio folhear partituras por quatro horas seguidas, virou-se e perguntou "o senhor é maestro"?
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Eu já sabia que sentiria falta dos olhos sorridentes, da inteligência ímpar e da integridade indubitável do Sérgio, mas foi somente ontem que percebi o quanto ele fará falta a todos nós, que nas bandas de cá ficamos.
Fará falta como um oboé faz falta a uma orquestra. Não é possível medir isso.
Pessoas como ele fazem falta em qualquer lugar, mas ontem ele me deixou de herança uma idéia que jamais esquecerei, e foi somente ontem, entre uma fatia de pizza de alho poró e uma fatia de pizza de calabreza que compreendi que a música é, de fato, a língua universal. Ela quebra todas as barreiras sociais, as barreiras de língua, de nível cultural, de formação, de religião. A música permite que todos prestem mais atenção na alma uns dos outros, e esqueçam um pouco o espelho, a moldura.
Ao Sérgio, meu muito obrigado por me deixar essa herança preciosa, as minhas saudações e meu desejo de boa viagem. Que o "senhor" cante sempre as árias de óperas pelo mundo e os outros recebam o mesmo privilégio que recebi.
De minha parte, sempre que ouvir Gardel, lembrar-me-ei do senhor e de sua família. E lembrar-me-ei com saudades.
2 comentários:
Scent of a woman... um dos meus favoritos!
E faço minhas as suas palavras, Ricardo...
http://heillvikingur.blogspot.com/2008/07/despedida.html
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